Entre sem bater'

Perfil

Perfil: UMA THURMAN

uma-thurman

Alguns descolados andam com a foto dela na camiseta. Os Tarantinescos a idolatram (junto com o próprio). Enquanto uns preferem a morena perigosa, viciada e loucamente sensual em sua dança (ou na forma que segura o cigarro; ou no corte de cabelo único; ou no jeito de andar; ou na fala calma e sussurrada; ou na…) de Pulp Fiction, outros preferem a loura vingativa, mortal, renascida das profundezas do inferno, suja, armada e absolutamente apaixonante de Kill Bill – vols. 1 e 2!

Ela nasceu filha de modelo mexicana e de um editor norte-americano. Seus avós eram alemães e suecos. Dessa mistura toda, nasce uma menina chamada Uma Karuna Thurman, em 29 de abril de 1970, em Boston. Era tida como introvertida e estranha na época de sua juventude. Tinha pés, braços e nariz grandes. Mas tudo isso parece ornar de forma única em Uma.

Começou na carreira de modelo aos 15 anos e chamou a atenção dos professores na escola após interpretar o impactante papel principal de Abigail na peça The Crucible, de Arthur Miller. Iniciou um curso de teatro e o resto é história.

Em Ligações Perigosas de Stephen Frears, Uma chamou a atenção da mídia mundial, merecendo altos elogios do elenco estelar. Entre uma produção e outra, entre um sucesso de crítica e público e outros não tão bons assim, Uma foi trilhando um caminho digno, cheio de escolhas interessantes e papeis que lhe caiam como uma luva.

Casou-se  com o ator Gary Oldman, união que durou dois anos; o segundo durou cinco anos, com o também ator Ethan Hawke. Houve boatos de que também teve um affair com o diretor e roteirista Quentin Tarantino. Mas sempre vivendo na discrição, o que ressalta sua aura de diva.

Jennifer 8 – A Próxima Vítima, Como Cães e Gatos, Batman e Robin, Henry e June, filmes que se destacaram pela presença sempre impactante de Uma e sua persona, como ela mesma disse, estranha.

E foi justamente Tarantino que entregou a Uma, dois de seus papeis mais marcantes: o de Mia Wallace, a namorada de um gângster em Pulp Fiction – Tempo de Violência, papel que lhe valeu sua única indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante em 1995.

Kill Bill – vols. 1 e 2, colocaram definitivamente Uma no hall das grandes atrizes, ou, na definição de Tarantino: musa! Interpretando a vingativa Beatrix Kiddo, ou, A Noiva, Uma enfrenta uma gangue de assassinos em busca de vingança: ela quer matar Bill, antigo chefe e amante que decidiu acabar com sua cerimônia de casamento.

Em poucas palavras: Uma é a presença hipnotizante, quase etérea, por vezes fria e distante, por vezes quente e arrebatadora, mas, em todos os momentos, independente do filme, gênero, ela entra e o mundo parece gravitar a sua volta!

No final de 2013, estréia Nymphomaniac, de Lars Von Trier, em que Uma interpreta a Senhora H. Alguém duvida que ela vá roubar a cena?

Fonte da imagem: http://migre.me/gngwi

( O artista não se faz sozinho. Por ser sensível e aberto ao mundo, ele sofre interferências de diversos outros, com obras, pensamentos, atitudes e presença, que acaba por influenciar o outro. A cada semana, será traçado um pequeno perfil sobre artistas que, de certa forma, causam impacto e influência sobre Jeam Camilo ).


Perfil: JODIE FOSTER

jodie-foster

Ela tem 50 anos de idade e 47 de carreira. Muitos não chegam a tudo isso. Tem 2 Oscars de Melhor Atriz, muitos sucessos de bilheteria, vários prêmios importantes (Globo de Ouro, SAG, Donatello, prêmios das Associações de Críticos, etc.). É considerada uma das melhores atrizes de todos os tempos. Dirigiu dois excelentes filmes. É culta, discreta, talentosa. Ela é Alicia Christian Foster, ou, Jodie Foster.

Estreou no mundo das celebridades aos três anos, num comercial de filtro solar da Coppertone e o mundo nunca mais conseguiu se desvencilhar dos magnéticos olhos azuis da moça.

Ao contrário de muitos astros mirins que chamam a atenção de todos e depois desaparecem, Jodie sobressaiu e manteve-se na carreira confirmando assim, seu real, intenso e imenso talento.

Aos 14 anos, interpretou a prostituta mirim Íris no clássico Taxi Driver do mestre Martin Scorsese, sendo indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante.  Alguns anos depois, Jodie sofreu um duro golpe: um atentado contra o então presidente dos EUA, Ronald Reagan. O homem que atirou no presidente confessou ter feito isso somente para chamar a atenção da atriz, que a perseguiu por meses enquanto ela estudava Literatura na Universidade de Yale. Atordoada, Jodie ficou um tempo fora das filmagens.

Já adulta, em 1988 teve sua grande chance ao interpretar Sarah Tobias no filme Acusados (The Accused), de Jonathan Kaplan vencendo seu primeiro Oscar de Melhor Atriz. Para conseguir o papel, Jodie precisou provar para os diretores e produtores que seria capaz de dar conta do papel da mulher que busca justiça para prender os homens que a estupraram. Na verdade, havia uma indisposição dos produtores porque Jodie estava um pouco acima do peso para o papel.

Poucos anos depois, em 1991, veio a consagração definitiva: Jodie vence seu segundo Oscar de Melhor Atriz pelo genial O Silêncio dos Inocentes (The Silence of the Lambs), que também levou os prêmios de Melhor Filme, Direção, Ator (Anthony Hopkins) e Melhor Roteiro Adaptado (do romance de Thomas Harris).

Poderia simplesmente se acomodar com a fama e o respeito, mas Jodie queria mais. Estreou como diretora no elogiadíssimo Mentes que Brilham (Little Man Tate) e continuou em busca de papeis desafiadores, como Nell papel que lhe rendeu mais uma indicação ao Oscar e o prêmio SAG de Melhor Atriz.

Dirigiu ainda Feriados em Família (Home For The Holidays) e produziu alguns filmes.

Sempre discreta, muitos boatos foram alimentados sobre sua vida pessoal (e sexual). Esse ano, ao receber um Globo de Ouro especial em homenagem a sua carreira, Jodie agradeceu a sua ex-companheira com o qual viveu por mais de 10 anos.

E assim, voltando ao batente, Jodie não para de trabalhar, o que nós, fãs, agradecemos aliviados com uma artista que sempre lutou para se consolidar como atriz séria e dedicada, construindo uma carreira sólida, pautada em interpretações fortes, coerentes e inesquecíveis.

Apesar de tantos papeis marcantes, uma única frase de sua personagem Clarice Starling fica arraigada em nossas cabeças, e jamais se apagará:

- Doutor Lecter? Doutor Lecter? Doutor Lecter?

 

Fonte da imagem: http://migre.me/eSHum


Perfil: KEVIN BACON

Kevin Bacon

Existe uma teoria muito interessante sobre Kevin Bacon: a de que, de alguma forma, você está conectado a ele. Segundo a teoria, conhecemos alguém que conhece Kevin (ou já trabalhou com ele).

Essa “teoria” se explica pelo fato de Kevin ser um dos mais atuantes atores de sua geração. Trabalhou (e trabalha) tanto e com tantas pessoas que, se formos analisar todos os nossos vínculos de amizade, família ou carreira, com certeza conhecemos alguém que conhece Kevin Bacon.

Ele começou na carreira bem cedo quando, aos 17 anos sai da Filadélfia para Nova Iorque para realizar seu grande sonho: se tornar ator. Fez algumas peças e pontas em filmes quando chamou a atenção da crítica na melancólica interpretação de Timothy Fenwick no filme Quando os Jovens se Tornam Adultos, de Barry Levinson, em 1982.

Após alguns outros trabalhos, Kevin se aventurou num musical despretensioso: Footlose. O filme, de 1984, foi um sucesso inesperado de público e crítica, alçando Bacon à astro de primeira grandeza.

Mas a carreira de Bacon teve altos e baixos. Como o astro trabalhava incansavelmente, junto com a fama e bons papeis, também vieram alguns fracassos. Tanto que, Bacon chegou a repensar sua carreira no cinema, voltando fortemente para o teatro. No cinema, apenas papeis menores. Mas isso durou pouco. Foram justamente dois papeis “menores” que Bacon voltou a ser reconhecido pelo público e crítica: JKF – A Pergunta Que Não Quer Calar (1991), de Oliver Stone, e Questão de Honra (1992), de Rob Reiner, dois grande sucessos de público e crítica.

Em 1994, sob a tutela de Curtis Hanson, fez Rio Selvagem, ao lado de Meryl Streep, filme que lhe rendeu sua primeira indicação ao Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante.

No anos seguintes, Bacon manteve interpretações arrasadoras como nos fortes Assassinato em Primeiro Grau e Sleepers – A Vingança Adormecida.

Em 1998, se aventurou na produção com Garotas Selvagens onde também atuou.

Desde então, continuou alternando sucessos de público (O Homem Sem Sombras), com sucessos da crítica (caso do polêmico O Lenhador, de 2004).

Bacon venceu em 2009 os merecidos (e um pouco tardios) prêmios de Melhor Ator em TV no Globo de Ouro e o Screen Actors por sua atuação no filme produzido para a televisão O Retorno de um Herói.

É casado há mais de vinte anos com a atriz Kyra Sedgwick, que conheceu nas filmagens para um filme produzido para a TV.

Grande ator, um astro discreto e muito, muito talentoso, Kevin Bacon é o tipo de cara que parece nosso vizinho simpático ou aquele amigo que nos faz bem. Mesmo interpretando figuras terríveis!


Perfil: GARY OLDMAN

gary-oldman-11

Natalie Portman, em 2012, ao apresentar o Oscar na categoria Melhor Ator, olhou para Gary Oldman, indicado pelo filme O Espião Que Sabia Demais (Tinker Tailor Soldier Spy) de Tomas Alfredson, e disse: “Não acredito que seja sua primeira indicação”. Nem ela, nem nós.

Ao pensar em Oldman, ao menos quatro personagens surgem de forma impactante em nossas mentes: O Sid Vicious de Sid e Nancy – O amor mata (Sid and Nancy); o policial psicopata de O Profissional (The Professional) de Luc Besson (no qual trabalhou com Natalie em seu debut cinematográfico); o gênio Beethoven de Minha Amada Imortal (My Immortal Beloved); e o papel de sua vida, o Drácula de Drácula de Bram Stoker (Bram Stoker’s Dracula) de Francis Ford Coppola.

Londrino, nasceu em 21 de março de 1958, filho de um soldador com uma empregada doméstica, estudou artes dramáticas e estreou no cinema em 1981. Rapidamente chamou a atenção da crítica, especialmente com sua interpretação no filme Sid e Nancy – O amor mata. Com sua figura soturna, Oldman interpretou vários vilões (como em JFK – A Pergunta que não quer calar (JFK), de Oliver Stone, e o próprio O Profissional, de Luc Besson).

Participou de franquias bilionárias como Harry Potter e Batman. Dirigiu o sensacional Violento e Profano (Nil by Mouth), vencendo vários prêmios internacionais, tendo inclusive, sido indicado a Palma de Ouro em Cannes.

Porém, nada se compara à sua releitura e personificação do Drácula de Coppola. Oldman absorveu o personagem de forma tão profunda e arrebatadora que, dizem, Winona Ryder, par romântico de Oldman no filme, teria ficado transtornada nas filmagens de algumas cenas. Por Drácula de Bram Stoker, muitos consideram seu desempenho como um marco no gênero horror.

Discreto, mas com fama de sedutor (já foi casado com Uma Thurman e teve um affair com Isabella Rossellini), Oldman se divide entre os palcos, direção, produção, mas é nas telas que esse enigmático e magnético ator brilha. Quando em cena, é impossível tirar os olhos dele.

Gary Oldman, bom, lugar comum dizer o quanto ele é superlativo… inspirador, com certeza, mas é seu olhar, ao mesmo tempo sedutor e aterrorizante em Drácula de Bram Stoker que talvez defina a genialidade de alguém muito além de indicações e prêmios: um verdadeiro Artista.

 


Perfil: HEATH LEDGER

Heath Ledger

Quando assisti ao filme A Última Ceia (The Monster’s Ball), uma figura me chamou profundamente a atenção. Mesmo tendo ficado pouco tempo em cena, Heath Ledger deixou uma interpretação contida, dura, e absolutamente comovente. Interpretando o filho de Billy Bob Thornton, o filme que deu o Oscar de Melhor Atriz para Halle Berry, tinha tudo para passar desapercebido, já que o filme aqui é de Halle. Mas não. Heath agarrou o personagem de tal forma, que algumas das cenas que fazem desse um ótimo filme, são dele.

O astro nascido numa pequena cidade da Austrália, “descobriu” que queria ser ator, ao assistir uma montagem teatral com sua irmã interpretando uma peça de Shakespeare. Jovem, começou a atuar em pequenos papeis em séries de TV australianas.

A grande chance veio com 10 coisas que eu odeio em você (10 Things I Hate About You), inspirado em “A Megera Domada”, justamente, Shakespeare. Chamou a atenção de público e crítica e, nos anos seguintes, trabalhou com Mel Gibson em O Patriota (The Patriot), Coração de Cavaleiro (A Knight’s Tale), de Brian Helgeland, e Os Irmãos Grimm (The Brother’s Grimm), de Terry Gilliam. Ainda faltava algo para transformar Heath de vez em grande estrela e ator respeitado.

Esse “algo” veio no nome de Ennis del Mar, no filme O segredo de Brokeback Mountain (Brokeback Mountain), do genial diretor taiwanês Ang Lee. O comovente e forte filme de Lee, rendeu à Ledger prêmios, indicações, e, definitivamente, a aclamação da crítica e do público. Foi indicado ao Globo de Ouro e ao Oscar de Melhor Ator.

E foi durante as filmagens de Brokeback Mountain que Ledger conheceu Michelle Williams, com quem teve uma filha, Matilda.

Alguns filmes depois, e planos de dirigir um longa, o ator, fascinado por jogos de xadrez, recebeu o papel de sua vida: iria interpretar o maior vilão da série Batman no filme Batman: O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight), de Christopher Nolan. Ao saber da notícia, Jack Nicholson, que interpretou o mesmo personagem em Batman, de Tim Burton, teria dito à Ledger: Tome cuidado!

Em 22 de janeiro de 2008, poucos meses antes da estreia do filme mais esperado dos últimos anos, a notícia de que Ledger, então com apenas 28 anos, havia sido encontrado morto, em seu apartamento, chocou o mundo. Duas semanas depois, a autópsia conclui que, o que matou o jovem e talentoso astro do cinema, foi uma mistura de diferentes tranquilizantes.

Apesar do choque, o filme Batman: O Cavaleiro das Trevas estreia com recordes de bilheteria e uma certeza: estava ali, em cena, a própria encarnação do Coringa, numa interpretação ousada, difícil, insana, e absolutamente genial. E inesquecível.

Heath foi um dos poucos atores a levarem um, raro, prêmio póstumo da Academia.

Cinco anos após sua morte, revendo fotos, filmes, entrevistas, é difícil ainda entender como algumas vidas e carreiras passam de forma tão rápida, e intensa. Talvez, alguns talentos sejam tão maiores que as próprias pessoas que os carregam; talvez tenha sido o tempo exato de brilhar e sair de cena; talvez tenha sido uma confusão de sentimentos; talvez tenha sido todos os talvez que a morte tem o dom de despertar em nós, mas algo todos temos certeza: de uma forma visceral e impactante, esse moço jovem e muito talentoso estará, por toda a eternidade, gravado em celuloide, e na memória de quem pode presenciar tal carisma e personalidade.

 

Fonte da imagem: http://migre.me/dzx4W


Perfil: WOODY ALLEN

Woody Allen

Que mundo! Poderia ser maravilhoso se não fossem as pessoas.

 

Woody Allen poderia ser definido exatamente nessa frase. Este nova-iorquino, nascido em 1º de dezembro de 1935, mostra muito de si em seus filmes, explorando seus temas favoritos: a cidade de Nova Iorque, palco de obras-primas absolutas, a religião judaica, a psicanálise e a burguesia intelectual americana. Mas não somente isso. Woody tem um poder mágico, como um maestro, onde, mesmo em seus filmes menores, consegue ser muito acima de todos os outros, levar-nos onde ele queira que a gente vá.

O mundo divide-se em pessoas boas e pessoas más. As pessoas boas têm um sono tranquilo. As pessoas más aproveitam bem mais as horas em que estão acordadas.

 

Começou a escrever aos 15 anos para colunas de jornais e programas de rádio. Tentou se formar sem sucesso na Universidade de Nova York. Aos 30 anos, já era um comediante respeitável e chamou a atenção de um produtor cinematográfico em uma de suas apresentações.  No ano seguinte, fez O que é que há, Gatinha?, e não parou mais.

Noventa por cento do sucesso se baseia simplesmente em insistir.

 

O reconhecimento de público e crítica veio com o clássico Annie Hall, ou Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, que arrebatou 4 Oscars: Melhor Filme, Direção, Roteiro e Atriz, para Diane Keaton. Allen não compareceu à cerimônia, o que se tornaria uma constante.

Mas o gênio teve uma vida permeada de escândalos: namorou várias atrizes famosas, colocando-as sempre em papeis de destaque em seus filmes. Mia Farrow foi uma das mais felizes uniões com o diretor, criativamente falando. Nessa “fase Mia Farrow”, lançou o genial Hannah e Suas Irmãs, e ganhou mais um Oscar de Roteiro Original.

A fase terminou quando Allen se apaixonou e se envolveu com Soon Yi, filha adotiva de Mia, com quem está casado até hoje.

Só há um tipo de amor que dura: o não correspondido.

 

Ao longo de sua carreira, teve mais de 18 indicações em diversas categorias e lançou atrizes que também foram premiadas ou indicadas, caso de Mira Sorvino (vencedora de Melhor Atriz Coadjuvante por Poderosa Afrodite), e Samantha Morton (indicada a Melhor Atriz Coadjuvante por Poucas e Boas), sem contar na diva Dianne Wiest, duplamente vencedora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por Hannah e Suas Irmãs e Tiros Na Broadway.

Os anos 2000 não foram tão bons com a crítica e o público, tendo feito o que são considerados seus filmes mais fracos, como Trapaceiros, O Escorpião de Jade e Igual a Tudo na Vida.

Foi com Melinda e Melinda, de 2004 que Allen voltou a ser elogiado. Porém, em 2005 ele deixou o mundo boquiaberto ao sair de sua Nova Iorque e filmar um drama, Match Point – Ponto Final em Londres. Match Point foi, até então, o maior sucesso comercial de Allen. Com uma história envolvente e final impactante, ele volta a fazer as pazes com público e crítica.

Derrapou um pouco (segundo a crítica) em Scoop – O Grande Furo, e em O Sonho de Cassandra.

Em 2008, ele parte para a Europa para fazer o delicioso Vicky Cristina Barcelona, filme que deu à Penélope Cruz seu merecido Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, roubando todas as cenas e atenções para sua enlouquecida Maria Elena.

Seguiu para a França para fazer Meia-noite em Paris, que lhe rendeu mais um Oscar de Melhor Roteiro Original, e deixa público e crítica encantados com uma história surreal.

Parte para a Itália, e faz o maravilhoso, e engraçadíssimo Para Roma Com Amor.

Woody Allen se descreve da seguinte maneira “As pessoas sempre se enganam em duas coisas sobre mim: pensam que sou um intelectual (porque uso óculos) e que sou um artista (porque meus filmes sempre perdem dinheiro)”.

Independententemente da preferência por sua fase Nova Iorque, ou Mia Farrow, ou pelo seu filme musical (Todos Dizem Eu Te Amo), ou suspenses, dramas, etc., estamos diante de um “fazedor” de sonhos com as neuroses urbanas. Amando-o ou odiando, Allen é um gênio absoluto, desses sujeitos que amamos odiar, e odiamos do tanto que amamos.

Mas Hannah e Suas Irmãs ainda é o top da lista!

Foto: http://cineclubemuseu.blogspot.com.br/

( O artista não se faz sozinho. Por ser sensível e aberto ao mundo, ele sofre interferências de diversos outros, com obras, pensamentos, atitudes e presença, que acaba por influenciar o outro. A cada semana, será traçado um pequeno perfil sobre artistas que, de certa forma, causam impacto e influência sobre Jeam Camilo ).


Perfil: WINONA RYDER

 winona forever

Não existe a menor possibilidade de não gostar de Winona Ryder, especialmente quem nasceu nos idos anos 80.

Mais que beleza ou talento. Winona tem o tal “que”. Olhos enormes e extremamente expressivos, com um carisma arrebatador, ela foi, até metade dos anos 90, tida como a Rainha de jovens do mundo inteiro.

Escorpiana de 29 de outubro de 1971, nascida na cidade de Winona, Minessota. Filha de pais hippies convictos, viveu até os 12 anos numa fazenda, sem eletricidade. Politizada desde pequena, decidiu ser atriz. Aos 13 anos foi reprovada num teste, mas no ano seguinte, conseguiu o papel principal no sensível Ciranda de Ilusões.

Desde então, para nossa felicidade, não parou mais.

Winona desenvolveu uma carreira pautada na qualidade indiscutível de suas escolhas e interpretações. São inesquecíveis suas atuações em filmes tão marcantes como A Volta de Roxy Carmichael, Os Fantasmas Se Divertem, os sensacionais Minha Mãe É Uma Sereia (aqui, com uma novata e promissora Christina Ricci), e Edward, Mãos de Tesoura, envolvendo-se num longo relacionamento com o ator e parceiro de cena, Johnny Deep, que tatuou “Winona Forever” em seu braço.

Suas atuações chegam ao ápice em trabalhos densos como o impactante Drácula de Bram Stoker, do mestre Francis Ford Copolla, a obra-prima A Época da Inocência, do gênio Martin Scorsese, pelo qual ganha um Globo de Ouro e tem sua primeira indicação ao Oscar (Melhor Atriz Coadjuvante), e, no ano seguinte, a glória com Adoráveis Mulheres, onde recebe sua segunda indicação ao Oscar, desta vez, de Melhor Atriz.

Da metade dos anos 90 para frente, Winona continuou sua excelência em atuações sólidas e sutis. Foi a problemática Abigail Williams numa atuação extraordinária na adaptação de As Bruxas de Salem, e deu um toque de melancolia ao sensível Garota, Interrompida,  no qual, atuou como produtora também.

Após a boa fase, deixou que sua, até então discreta vida particular, fosse afetada por pequenas polêmicas. Foi acusada de furtar roupas numa famosa loja de departamentos em Los Angeles. Absolvida, voltou a fazer filmes, mas sem mais uma produção a altura de seu talento.

Participou do macabro Cisne Negro, numa forte atuação.

Winona pode ter deixado um pouco de lado os grandes papeis, e a exposição na mídia, mas, de uma forma muito profunda, a mesma forma que seu olhar delicado e também perturbador, ela sempre será, em nossa memória, aquela garota que poderia muito bem ser a vizinha bonita, ou a garota legal que senta perto da gente na escola, sem, é claro, nunca abandonar um ar de diva, que o próprio tempo se encarregará de imortalizar.

“WINONA FOREVER”!

Imagem: http://s204.photobucket.com/albums/ 

( O artista não se faz sozinho. Por ser sensível e aberto ao mundo, ele sofre interferências de diversos outros, com obras, pensamentos, atitudes e presença, que acaba por influenciar o outro. A cada semana, será traçado um pequeno perfil sobre artistas que, de certa forma, causam impacto e influência sobre Jeam Camilo ).


Perfil: DAVID LYNCH

David Lynch

Com certeza você já viu, ou ouviu falar de suas obras profundas, tida (por muitos) como confusa e imcompreensível, mas também (por muitos outros) como perfeitos retratos de um mundo além de nossa compreensão, imperceptível aos olhos cotidianos: nosso próprio dia-a-dia.

David Lynch nasceu em janeiro de 1946, e estudou pintura. Conta-se que, numa de suas criações, uma mariposa pousou no quadro e ficou presa por conta da tinta, até morrer. Lynch, admirado e perturbado pela imagem, levou para sua obra, a constante vida/morte, o concreto e o abstrato, o sonho e a realidade, o duplo que sempre o persegue desde então.

Sua transição para o cinema veio, novamente, da observação de sua própria arte. Olhando um quadro sobre uma vegetação, Lynch ouviu o barulho do vento, e teve a percepção de que as folhas no quadro moviam-se. Deu-se conta de um aspecto melancólico das pinturas: a imobilidade. Decidiu então, dar “vida” às suas criações artísticas.

Fez o curta Six Figures Getting Sick, onde seis esculturas de seis cabeças aparecem vomitanto seis vezes seguidas. Estranho? Pois se prepare para The Alphabet, um curta disponível no youtube absolutamente perturbador, onde uma menina (mulher?) aparece soletrando o alfabeto. Tenso.

Estreou em longas metragens com Eraserhead, em 1976. A obra causou estranhamento, mas virou cult e chamou a atenção de ninguém menos que Mel Brooks, que o convidou para dirigir O Homem Elefante, filme que colocou Lynch entre os diretores mais talentosos e interessantes a aparecer no mundo do cinema. O Homem… deu à David, sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Diretor.

Com todo o burburinho para o filme, veio então, a grande chance: dirigir Duna, um clássico da ficção científica, obra adorada por gerações. Mas o filme teve um retumbante (e merecido) fracasso de público e crítica.

Ainda inexperiente, David só aceitou dirigir Duna, caso tivesse total liberdade criativa e artística para fazer seu próximo filme. Veludo Azul chega em 1986, arrebentando toda a crítica e público, colocando Lynch de vez entre os mais brilhantes de sua geração. É aqui também que David firma uma parceria longa e muito feliz com o maestro e compositor Angelo Badalamenti. Nova indicação ao Oscar de Melhor Diretor.

Poucos anos depois, redefine o conceito de se fazer séries na televisão, ao lançar o mega cultuado Twin Peaks, série que, até hoje gera influências e assombra por sua crueza e cuidados técnicos, pegando o público desprevenido com elementos surreais, e em muitos casos, violentos.

A França se rende ao mestre do surreal/realismo: em 1990, Coração Selvagem,leva a Palma de Ouro de Melhor Filme no Festival de Cannes.

 Logo após, David chega e racha os críticos ao meio, lançando A Estrada Perdida, longa que ousa entre imagens de instalações de vídeo, com música eletrônica e história absolutamente não-linear. A crítica chama o filme de engodo incompreensível. Sem nunca deixar de surpreender, Lynch lança História Real, seu filme mais convencional no sentido estético. Ganhou prêmios e muitos elogios, mas ainda estava por vir sua obra prima: Mulholland Drive – Cidade dos Sonhos.

Lynch, nessa época, havia desenvolvido e filmado o piloto de uma série de TV, abordando os bastidores de Hollywood, a fábrica de sonhos. Os produtores acharam o conteúdo obscuro e pesado demais para uma série de TV, e desistiram de investir na série. Lynch pegou o material filmado e levou para a França, onde alguns produtores adoraram o que viram, e investiram mais dinheiro para que ele pudesse filmar mais uma hora de material, e pudesse lançá-lo como longa-metragem.

O desfecho dessa história, é a criação de sua obra-prima máxima: Cidade dos Sonhos é de uma complexidade ímpar, com fotografia magnífica, Angelo Badalamenti entregando uma trilha sonora à altura de sua genialidade, a revelação de uma das maiores atrizes da atualidade (a maravilhosa Naomi Watts), e, finalmente, David entrega uma obra multifacetada, onde pode-se analisar todo o filme por vários ângulos, cada um levando a discussões cada vez mais profundas e enriquecedoras.

Sem contar que Lynch nos oferece uma das histórias de amor mais trágicas e melancólicas do cinema. A personagem Betty/Diane de Naomi Watts é de uma complexidade visceral, de uma tragicidade tão profunda e dolorida, que chega a ser comovente. Triste, e arrasador. Saímos de uma sessão de Cidade dos Sonhos em frangalhos.

Nova indicação ao Oscar de Melhor Direção, sucesso retumbante de público e crítica, que elegeu Mulholland Drive – Cidade dos Sonhos como o filme da década.

Eis que, Lynch vem com o também (muito) controverso Império dos Sonhos (INLAND EMPIRE, assim mesmo, todo em maiúsculo). O filme dividiu novamente a crítica. Para se ter uma ideia da viagem cinematográfica oferecida por Lynch, a atriz principal (a sempre excelente Laura Dern), disse que interpretou quatro personagens. Lynch disse que foram três.

O que impressiona na obra desse mestre absoluto, é sua beleza em mostrar que seus (nossos) monstros não são propriamente reais, mas sim, manifestações do real, mostrados de forma metafórica para compreendermos, ou tentarmos, nossa realidade.

Segundo ele, a vida em si não faz muito sentido. Se os filmes são a representação da vida, porque então eles devem fazer sentido?

Imagem:  http://cineclubemuseu.blogspot.com.br/

( O artista não se faz sozinho. Por ser sensível e aberto ao mundo, ele sofre interferências de diversos outros, com obras, pensamentos, atitudes e presença, que acaba por influenciar o outro. A cada semana, será traçado um pequeno perfil sobre artistas que, de certa forma, causam impacto e influência sobre Jeam Camilo ).


Perfil: CÁSSIA ELLER (… com você, meu mundo ficaria completo…)

Cássia Eller

Hoje, exatamente hoje, ao entrar em casa, às 14:52, vi que, em cima da pia, haviam 4 rosas a caminho da deterioração, com pétalas já escuras mas, o que mais me chamou a atenção, foi o intenso perfume saído delas, mais forte até que quando estavam “jovens”.

Ao mesmo tempo o cd Acústico de Cássia Eller estava tocando e ela, em berros maravilhosos entoava: “… porque que é que está fazendo aaaasssiiiimmmmm… eh ehhhh eh ehhh…”, na tocante Relicário de Nando Reis. Como descrever o significado desse disco pra mim?

Ela surgiu bem antes em minha vida.

Quando criança, vendo Fantástico, vi uma mulher cantando com voz de homem e um homem cantando com voz de mulher. Eram Edson Cordeiro e Cássia Eller. Ele era A figura do momento, mas foi ela quem me deixou totalmente enlouquecido. Devia ter uns… sete anos? E sim, fiquei enlouquecido.

Ela não tocava nas rádios (pelo menos as que eu ouvia), não aparecia sempre, e não havia nem a tal da internet, nem “tipo net”, nem net alguma.

Passou um bom tempo e eis que, mais uma vez, tive a impressão de ter levado um soco na cara: mais uma vez o Fantástico apresentava o clip Malandragem, e eu não conseguia entender ou explicar o que aquela música causou em mim. Uma criança tendo sentimentos inexplicáveis… como pode?

Ela tornou-se então, essa figura pra mim: de pessoa inexplicável, talvez até pouco compreensível, mas, assim como o perfume das rosas quase murchas, eu sentia… sem saber como ou porque.

Canção após canção, tenho mais um impacto chamado O Segundo Sol. Novamente, ela conseguia me atingir. Devo admitir que, após conseguir uns cds dela antigos emprestados, não curti muito todos os sons e músicas. Mas era fato: ela existia de uma forma única em mim, não como uma pessoa que faz um único disco bacana, mas era o todo: a voz, a postura, parecia uma deusa acima do bem e do mal.

Ela conseguiu me atingir mais uma vez: em 29 de dezembro de 2001, em meu quarto, escrevendo (como sempre!), ouço o boletim com a música mal-agouro do Plantão da Globo, informando o impensável: Cássia, que, em 2001 havia tido um ano mágico com seu Acústico MTV, morre devido a causas não reveladas.

Eu tinha acabado de fazer 19 anos, fase transitória entre ainda ser jovem e começar a entrar na chamada “vida adulta”, estava indo para o segundo ano de faculdade, e ainda iria passar alguns dos piores momentos de minha vida. Vivia no interior, a vida parecia calma e, assim como cantava Renato Russo, pensávamos: “… temos todo o tempo do mundo”. Éramos jovens, bem mais, acreditávamos em tantas coisas! E, de repente, os nossos ídolos começaram a partir (antes, o inesquecível e eterno Renato Russo), e a vida adulta vinha sem dó, e o mundo pareceu inverter sua ordem de esperança e felicidade e, de repente, veio a dor, a falta, o vazio e as saudades.

Naquela noite, alguns amigos foram em casa e ficamos na calçada, tocando violão e cantando as várias músicas. Era véspera de Ano Novo, e as coisas não começaram muito bem. Foi um balde de água fria. Quem teve a oportunidade de viver um tempo bom, com músicas, filmes e livros marcantes, sabe do que estou falando.

Era mais do que a cantora. Era mais do que as músicas. Era o tempo.

Era um tempo…

 

Imagem: http://coverbrasil-leko017.blogspot.com.br/

 

( O artista não se faz sozinho. Por ser sensível e aberto ao mundo, ele sofre interferências de diversos outros, com obras, pensamentos, atitudes e presença, que acaba por influenciar o outro. A cada semana, será traçado um pequeno perfil sobre artistas que, de certa forma, causam impacto e influência sobre Jeam Camilo ).


Perfil: STEPHEN KING

STEPHEN KING

A primeira vez que li um livro de Stephen King, fiquei com tanto medo, que tive pesadelos por dias seguidos. A capa era vermelha e um Plymouth gigantesco com uma caveira na placa parecia “sair” da capa. O livro era “Christine” e, desde então, nasceu um amor/terror por esse sujeito pacato, de olhar profundo.

Nasceu Stephen Edwin King em Portland, EUA, em 21 de setembro de 1947.

Teve uma vida digna de muitos de seus personagens: o pai abandonou a família quando ainda era criança, a mãe penou para criá-lo, junto de seu irmão mais velho adotivo, ainda criança, presenciou o atropelamento do amigo por um trem, enfim, passou poucas e boas.

Na Faculdade, conhece Tabitha Spruce que teve papel fundamental na carreira dele: foi ela quem incentivou Stephen a continuar suas histórias.

Um fato marcante: ao terminar de escrever “Carrie – A Estranha”, morando com Tabitha num trailer, ele não gostou do que escreveu e jogou no lixo. Ela pegou os originais leu, e mandou para uma editora que pagou quase nada para o estreante. Conclusão? “Carrie” está em todas as listas de melhores livros de Stephen, e tido como um dos melhores filmes de terror de todos os tempos, numa brilhante adaptação dirigida por outro mestre: Brian DePalma, eternizada pela interpretação de Sissy Spacek.

O resto é história: escreveu dezenas de livros, vendeu mais de 350 milhões de exemplares, teve diversas obras adaptadas para o cinema e séries de TV, premiado e tido, merecidamente, como um dos maiores escritores da atualidade e o mestre absoluto no horror e suspense.

Mas, não é só isso. Stephen também se aventurou em dramas, conquistando crítica e uma parte do público que ainda tinha “medo” de suas histórias. Eclipse Total, Conta Comigo, À Espera de um Milagre, Um Sonho de Liberdade, O Aprendiz, e tantas outras histórias.

Em 1999, King sofre um acidente inacreditável: atropelado durante uma caminhada, teve fraturas múltiplas, perdeu a memória e penou por meses até se recuperar.

Em plena forma, ele continua assombrando leitores do mundo todo. Mais do que monstros ou criaturas gosmentas, as obras de King perturbam ao mostrar que as piores e mais sinistras criaturas, são aquelas que residem em nós mesmos.

Influência das boas e obrigatórias. Excelente fonte para quem quer beber um pouco de “pavor absoluto”.

O que ler?

- Christine;

- Carrie, A Estranha;

- Cão Raivoso;

- As Quatro Estações;

- O Iluminado;

- A Zona Morta;

- À Espera de um Milagre;

- Desespero;

- A Maldição do Cigano;

- Cemitério Maldito.

 

O que assistir?

- IT;

- Christine, de John Carpenter;

- Louca Obsessão;

- Eclipse Total;

- À Espera de um Milagre;

- Conta Comigo;

- Um Sonho de Liberdade;

- O Aprendiz;

- Carrie – A Estranha;

- O Iluminado.

 

( O artista não se faz sozinho. Por ser sensível e aberto ao mundo, ele sofre interferências de diversos outros, com obras, pensamentos, atitudes e presença, que acaba por influenciar o outro. A cada semana, será traçado um pequeno perfil sobre artistas que, de certa forma, causam impacto e influência sobre Jeam Camilo ).


Perfil: BETTE DAVIS

Quando eu era criança e, confesso que até a pouco tempo, tinha medo de Bette Davis. Eu sempre fiquei impressionadíssimo com aqueles olhos enormes, de olhar intenso. Mas o que mais me deixava com os cabelos arrepiados, era aquela figura aterrorizante em O Que Terá Acontecido a Baby Jane?

Bette Davis é, sem dúvida, uma das figuras mais impactantes de toda a história do cinema. Nasceu em 05 de abril de 1908. Iniciou sua carreira na Broadway e, em 1930 mudou-se para Hollywood onde penou em papeis inexpressivos.

Decidida a voltar para os palcos e sair de Hollywood, Bette recebeu um telefonema de seu amigo e antigo professor de interpretação, o ator George Arliss, que insistiu na contratação de Bette pela Warner Bros., para participar do filme The Man Who Played God, em 1932.

Nos anos dourados do cinema, os atores e atrizes eram contratados exclusivos dos estúdios e ocorria desse artista ser “emprestado” para alguma produção de outro estúdio. Nessas, Bette Davis passou pelo concorrente RKO e fez seu primeiro grande papel no filme Escravos do Desejo em que, alguns críticos exaltaram como a melhor interpretação feminina do cinema americano.

Nos anos seguintes, Bette firmou-se como uma estrela de primeira grandeza, com filmes de muito sucesso de público e crítica, prêmios (Bette ganhou 2 Oscar de Melhor Atriz por: Perigosa e Jezebel) e polêmicas.

Teve alguns casamentos, uma filha (que depois publicaria uma biografia nada lisonjeira sobre a mãe famosa), e inúmeros “barracos” nos sets de filmagem. Fama de difícil, sua personalidade era forte, incisiva, vê-se isso em seu olhar altivo, sua postura firme. Seu jeito de falar, o cigarro sempre à mão e um talento inato, transformaram Bette em mito.

Sua performance em “A Malvada” (o próprio filme em si) é memorável, uma das grandes interpretações de toda a história como a atriz de teatro Margo Channing, que tem vida e carreira abalada com a chegada da dissimulada Eve (Anne Baxter). Roteiro impecável, com frases deliciosas e mordazes, a primeira aparição de Marilyn Monroe no cinema e tantos outros motivos levam “A Malvada” a ser, talvez, sua criação mais genial.

( “ … so young!” – Margo Channing – A Malvada)

No terror psicológico dirigido por Robert Aldrich O Que Terá Acontecido a Baby Jane, Bette está absolutamente aterradora como a mulher que “cuida” de sua irmã presa a uma cadeira de rodas, interpretada por Joan Crawford. Detalhe: ambas se odiavam mortalmente e, despejaram isso na tela, em um duelo de interpretação único na história.

Bette nos deixou em 1989 em decorrência de um câncer de mama.

Sua imagem, talento, carisma, personalidade ficaram e ficarão imortalizadas. Sua influência é tão grande, que admiradores reúnem-se todo ano, no dia de seu aniversário, em frente ao apartamento em que morava, para depositarem flores na entrada. Reza a lenda que “alguém” sempre deixa um bouquet de flores e um maço de cigarros na porta do prédio…

Veja a entrevista que Bette Davis concedeu à revista “Newsweek”: http://www.youtube.com/watch?v=iwpumpbblHY

( O artista não se faz sozinho. Por ser sensível e aberto ao mundo, ele sofre interferências de diversos outros, com obras, pensamentos, atitudes e presença, que acaba por influenciar o outro. A cada semana, será traçado um pequeno perfil sobre artistas que, de certa forma, causam impacto e influência sobre Jeam Camilo ).


Perfil: PEDRO ALMODÓVAR

Falar de Almodóvar é quase que cair no “mais do mesmo”: cineasta do exagero, das cores vibrantes, do dramalhão e da comédia rasgada, mas também da criatividade sem limites, da ousadia, da força contundente de suas histórias e, mais do que tudo, da influência que esse mestre do cinema consegue deixar como marca indelével na cultura, ou contra-cultura da arte contemporânea, ou, atemporal.

Nascido Pedro Almodóvar Caballero, numa pequena e paupérrima região de La Mancha, em 1949, cresceu num ambiente aonde os homens iam para o Exército ou viravam profissionais liberais (e, parecia ser esse o caminho do niño), e as mulheres viviam em eterno luto, sob forte influência religiosa. Um lugar pobre, porém rico em lendas e nas figuras femininas, figuras essas que influenciariam o cinema de Almodóvar em toda a sua carreira.

Aos oito anos, percebeu que não gostava mesmo dali e, mais tarde, ao chegar a Madri, reúne-se com a galera underground e com os mais variados artistas, começa a provar o início de sua liberdade criativa: sem dinheiro para cursar cinema, reunia os amigos para suas filmagens em Super 8, delegando as mais variadas funções para cada um: uma hora estavam em cena, na outra já poderiam ser assistentes de câmera, etc.

Quando lança seu primeiro longa em 16mm, ‘Pepi, Luci e Bom e Outras Garotas da Turma” (1980) e, logo após, seu primeiro longa em 35mm, “Labirinto de Paixões” (1982), ainda é desconhecido do grande público, mas já causa rebuliço entre os cults e undergrounds.

“Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos” (1988) o coloca definitivamente no mapa dos grandes e mais originais diretores em ascensão. Desde então, o cineasta vem aprimorando sua linguagem, seja em roteiros cada vez mais elaborados, ou no trabalho apurado na fotografia, na trilha sonora e em seu relacionamento com seus atores.

Pedro Almodóvar

“A Flor do Meu Segredo” (1995), é o início dessa fase, mais voltada ao drama e menos à comédia rasgada. Fase que se segue com o ótimo “Carne Trêmula” (1997) até culminar em sua obra-prima “Tudo Sobre Minha Mãe” (1999) onde crítica e público se rendem definitivamente a um dos mais criativos e geniais artistas de nosso tempo.

A fase criativa continua com “Fale Com Ela” (2002); o inferior “Má Educação” (2004); o triste “Abraços Partidos” (2009), e o fenomenal e totalmente fora de padrão “A Pele que Habito” (2009).

Deixei “Volver” (2006) por último, por ser talvez, a obra mais emblemática de um artista que, após experimentar de tudo um pouco, às vezes, exageradamente, decide voltar ao passado para pedir desculpas, para se entender, para se reconciliar. Desde o título até sua maravilhosa abertura (as senhoras limpando os túmulos ao som de uma canção espanhola fascinante), “Volver” é a volta dos fantasmas do próprio diretor, que decide, agora, de forma altamente peculiar e amadurecida lidar com eles e, tentar, se reconciliar com sua história, seu passado, e homenagear sua mãe.

E o espectador está de olhos bem abertos, emocionado, com um misto de ideias, com um infinito sentimento de saudades. De que, de onde, de quem, cada um vai se resolvendo com seus fantasmas.

( O artista não se faz sozinho. Por ser sensível e aberto ao mundo, ele sofre interferências de diversos outros, com obras, pensamentos, atitudes e presença, que acaba por influenciar o outro. A cada semana, será traçado um pequeno perfil sobre artistas que, de certa forma, causam impacto e influência sobre Jeam Camilo ).


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 42 outros seguidores